Eu era apenas mais uma


{ } "Fala pra ela…
Que o sorriso dela é lindo.
Que o cheiro dela te persegue.
Que seu sonho é dormir e acordar com ela…
Fala, garoto, fala pra ela.
— Tatiane Nunes
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Capítulo 13

-Estava dormindo no meu quarto, quando umas 03:30 da manhã meu celular tocou.

Tamara: Alô, quem? (com muito sono)
David: Sou eu Tamara, o David! (ele disse muito empolgado)

-Quando descobri que era o David do outro lado da linha eu acordei de verdade.

Tamara: David? Você dormiu no hospital?
David: Dormi, você tem que vir pra cá Tamara. Vem logo! 
Tamara: Aconteceu alguma coisa? A Mary tá bem? (preocupada)
David: Ela abriu os olhos e chorou, vem pra cá por favor!
Tamara: (sorri) Que bom, isso significa que ela está voltando ao normal, mas eu tenho que ir aí agora?
David: Desculpa te acordar, eu me empolguei. Vem pra cá de manhã cedo, é sábado mesmo você não deve ter nada pra fazer.
Tamara: Tudo bem David, eu vou sim. La pelas 8 hs eu tô aí, beijos.

                                     -Fim da ligação-

-Voltei a dormir, acordei cedo pois estava sem sono. Fui até a cozinha tomei meu café da manhã, e vi um bilhete da minha mãe na geladeira.

                     ” Filha, tive que resolver uns probleminhas

                       volto mais tarde, seu pai hoje teve que ir

                           trabalhar, por isso vai ficar sozinha.

                                          Beijos Mamãe! “

-Que ótimo, eu tinha que estar no hospital daqui a uma hora e meia, e não tinha ninguém pra me levar de carro. Tomei um banho, coloquei minha calça jeans, uma blusa do Nirvana e meu all star desbotado, passei um lápis de olho, peguei meus fones e sai andando rumo ao ponto de ônibus. Chegando lá sentei e fiquei esperando o ônibus passar, quando de repente um gol preto parou e a janela do motorista se abriu, não acreditei quando vi o motorista.

Eduardo: Oi gatinha, quer uma carona? (sorriso irônico)
Tamara: Não entraria nesse carro, nem que fosse pra você me levar pro paraíso.
Eduardo: Assim você me magoa, tô aqui te oferecendo um favor.
Tamara: Desde quando você tirou carteira?
Eduardo: Não tirei, mas já que ganhei o carro, tenho que usar.
Tamara: Hum… pelo visto você não é um bom motorista.
Eduardo: Porque?
Tamara: Pra começar a parte da frente ta amassada, como conseguiu amassar desse jeito?
Eduardo:(desconversou) Vai querer ou não a carona?
-Olhei no final da rua o meu ônibus já estava se aproximando.
Tamara: Não, prefiro ir de ônibus!
Eduardo: Você quem sabe. (e continuou descendo a rua)

-Entrei no ônibus que estava vazio, me sentei e uns 40 minutos depois cheguei no hospital. Entrei e fui direto pro quarto da Mary, logicamente quando entrei dei de cara com o David.

David: Achei que não vinha mais!
Tamara: Desculpa, vim de ônibus. Mas… e a Mary?
David: (sorriu) Ela abriu os olhos e me viu, então escorreu uma lágrima, depois ela dormiu de novo. Os médicos disseram que logo logo ela vai acordar, é questão de semanas, ou até dias.
Tamara: Que bom, mas e você? Tá pálido, já comeu alguma coisa hoje?
David: Pra falar a verdade não! (ele passou a mão nos cabelos)
Tamara: Vai tomar um café da manhã na cafeteria lá de baixo, eu fico aqui com a Mary pra você.
David: Tudo bem, mas qualquer coisa me liga.
Tamara: (sorri) Eu ligo David, agora vai comer alguma coisa, antes que você desmaie.

-O David saiu do quarto da Mary, em seguida eu abri minha bolsa e tirei algumas coisas da Mary, a escova de cabelo dela e alguns esmaldes, ela tinha ficado tanto tempo ali deitada e ninguém tinha se dado ao trabalho de cuidar da aparência dela.
Delicadamente eu penteei os cabelos longos e loiros da Mary, que por sinal estavam bem embaraçados, depois comecei a fazer as unhas dela, acho que ela não gostaria de acordar e ver que estava parecendo uma múmia de tão descuidada. Mas aconteceu algo tão inesperado, eu já tinha terminado e estava segurando as mãos dela me lembrando do tempo que ela estava acordada, quando senti um leve aperto na minha mão, aquilo me puxou de volta pro mundo real, quando olhei pro rosto da Mary ela estava me olhando e sorrindo.

Tamara: Mary? Você acordou! Mary! (eu não me aguentava de tanta alegria)

-Dessa vez ela não voltou a dormir, ela estava ali com os dois olhos abertos me olhando fixamente, com um sorriso enorme no rosto. E ainda segurava a minha mão.

Tamara: Você consegue me ouvir?
Mary: (balançou a cabeça positivamente)
Tamara: Amiga, você voltou… você voltou!

-Foi então que ela disse alguma coisa com muito esforço, a voz dela tava muito fraca e baixa, mas é logico ela ficou 3 meses sem dizer nenhuma palavra. Eu me aproximei dela pra conseguir ouvir.

Mary: Ca-ca-dê o David? 
Tamara: O David! Ele já vem, vou ligar pra ele.

-Eu chamei os médicos para fazer os exames de rotina pra ver se estava tudo bem com ela, enquanto isso liguei pro David, só disse duas palavras e ele apareceu feito um raio na porta do quarto da Mary.

Tamara: Calma, espera eles estão fazendo alguns exames de rotina.
David: Esperar mais? Eu já esperei 3 meses.
Tamara: Não custa nada esperar alguns minutos, calma ela tá ótima.
David: E o que ela disse? Qual foi a primeira coisa que ela falou?
Tamara: Ele disse “Cadê o David?”, foi tão lindo!
David: (sorriu) Vai ser mais lindo ainda quando eu ver ela. 

-O médico saiu do quarto e veio em nossa direção.

Médico: Podem entrar agora, mas vão com calma, os sentidos dela ainda não estão muito bons, ela ainda não pode se movimentar facilmente, mas logo logo vai estar correndo por ai de novo, não teve nenhuma sequela do acidente, isso é praticamente um milagre, e… ela não pode falar muito, a voz dela tá fraca.
David: Tudo bem, tudo bem! (ele disse já abrindo a porta do quarto)

-Assim que o David entrou na sala, a Mary levantou o olhar e abriu um sorriso enorme.

Mary: David! (ela disse baixo, mas com uma intensidade enorme)
David: Mary, eu sabia que você ia acordar, eu sabia! 

- O David se aproximou da Mary e deu um abraço forte nela, e logo em seguida um beijo. 

David: Eu amo você! 
Mary: Eu também te amo David, agora mais do que nunca.
David: Shiu! Você não pode falar muito.
Mary: Eu escutei tudo David, todos esses dias, você sempre esteve aqui comigo, eu me concentrava no som da sua voz, nas coisas que você me dizia mesmo sem saber se eu estava ouvindo ou não, mas eu ouvi todas as coisas lindas que você me disse, eu ouvi.
David: (sorriu) Eu esperava que você ouvisse, mas não tinha certeza, mas mesmo assim eu dizia. 

-Eu estava ali na porta do quarto assistindo aquela cena tão linda, sorrindo feito uma boba e chorando também, eu fiquei tão emociona em ver os dois daquele jeito, mas pelo menos acabou tudo bem no final. Mas ainda havia um porém, será que a Mary viu quem foi que á atropelou?